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O número de casos de mutilação entre jovens na faixa dos 12 aos 18 anos de idade têm crescido e está gerando preocupação para famílias de Timbó. "Se trata de um aumento real na incidência de jovens que se automutilam não apenas em nossa região, mas sim em um nível bem mais amplo", alerta o psiquiatra, doutor João Cé Bassanesi.
Para ele, não é apenas um fator, mas sim um conjunto deles que resulta nessas situações, como conflitos de desenvolvimento e maturidade, dificuldades com a sexualidade, bullying, entre outros desafios psicossociais. "A ansiedade, angústia, os medos e desafios aos quais os jovens se veem submetidos podem gerar grandes pressões emocionais que elevam o risco para a prática dessa conduta", explica.
Questionado se essas situações estão relacionadas ao jogo da Baleia Azul, Bassanesi diz que não vivenciou como profissional nenhum caso relacionado a esse jogo na região, envolvendo mutilação ou suicídio. Mas frisa que o aumento de casos de depressão em jovens aumentou consideravelmente, assim como outros quadros afetivos, como os bipolares.
"Em uma revisão brasileira sobre a epidemiologia dos transtornos depressivos em crianças e adolescentes, encontrou-se o resultado da prevalência-ano (a ocorrência de depressão no decorrer de um ano) para a depressão grave, em crianças, de 0,4 a 3,0%, e de 3,3 a 12,4% em adolescentes", analisa.
No que diz respeito ao tratamento e identificação de casos assim, Bassanesi é enfático: "se não houver tratamento as consequências podem ser graves, chegando a casos extremos como atos suicidas ou ainda a transtornos mentais devido a não superação desses traumas".
Entre os sinais que podem ser observados pelos pais para identificar se seu filho está passando por situações de automutilação, estão: cicatrizes, cortes, arranhões, hematomas ou outras feridas muito frequentes.
"Manter objetos afiados na mão e vários desde em seu quarto também pode ser um indício, assim como o usar blusas de manga longa ou calças compridas mesmo em dias quentes, ter dificuldade nas relações interpessoais, desinteresse por atividades que antes gostava, insatisfação com o próprio corpo ou modo de vida", ressalta o psiquiatra.
"Para os pais a maior virtude do diálogo e uma só... Escutar. Escutar mais, escutar sempre, ouvir muito, tentar compreender, sem reprimir, e depois buscar fazer o filho raciocinar sobre o que está falando para que ele consiga abrir espaço e entender a preocupação dos pais", aconselha.
A abordagem de tratamento passa primariamente pelo campo da psicologia, onde a psicoterapia irá auxiliar o jovem a reconhecer os problemas e as causas que o levam aos impulsos. "Com este apoio é possível aprender a gerir os seus conflitos internos e a exteriorizar a sua dor de forma mais saudável e ajustada, sem necessidade de impor uma dor física", esclarece Bassanesi.
Nos casos mais graves, Bassanesi diz que pode ser necessária a intervenção do psiquiatra, com acompanhamento do caso e a prescrição de medicamentos, de acordo com as necessidades de cada quadro.
"As medicações psiquiátricas evoluíram muito nos últimos anos e são seguras para uso na adolescência quando necessárias para a contenção dos sintomas que levam aos impulsos auto agressivos graves, recorrentes e que, se não tratados, causam riscos e sequelas psicológicas, muitas vezes definitivas e 'carregadas' para a idade adulta", explica.
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