O pré-candidato a presidente nas eleições de 2018 e atual deputado federal (RJ), Jair Messias Bolsonaro (PSC) esteve na região do Médio Vale na última semana e falou com a redação do Jornal Café Impresso. Acompanhado do deputado federal Rogério Peninha Mendonça (PMSB) e do deputado estadual Aldo Schneider (PMDB), Bolsonaro cumpriu sua agenda de palestras passando por Jaraguá do Sul e Blumenau.

No meio do percurso, na última sexta-feira, dia 19, parou para almoçar em Pomerode e aproveitou para conhecer a cidade e também o quartel da Polícia Militar. Na oportunidade, deu uma entrevista coletiva à imprensa e respondeu algumas questões pertinentes no momento, como sua possível saída do PSC, candidatura à presidência e visão sobre a atual crise política que ocorre hoje no Brasil. O deputado também falou sobre o projeto de lei 7282/14, que modifica a Lei 10826/03 (Estatuto do Desarmamento), estabelecendo maior possibilidade do porte de arma para os cidadãos de bem que necessitam usufruir deste direito - entre outras questões e dúvidas.

Confira a seguir a entrevista de Bolsonaro à imprensa:

Existe a possibilidade de que o senhor troque de partido?

Bolsonaro: É quase certa, porquê os compromissos assumidos com o então presidente do atual partido, lamentavelmente, não foram cumpridos.

Quais seriam, hoje, suas estratégias para combater o populismo de esquerda?

Bolsonaro: Acho que a população está ficando esclarecida sobre isso. Nós temos mostrado que não existe a perfeição hipotética. Esse pessoal, grande parte da juventude, na qual tenho a aceitação de 30%, já estão entendendo isso.

Nada cai do céu. Para você distribuir recursos através de programas, alguém tem que trabalhar para que isso seja possível, e, hoje em dia, a quantidade de pessoas que estão entrando na teia do populismo da esquerda, estão percebendo também que vai faltar gasolina para eles no futuro caso essa política continue. E logicamente, em função disso, a nossa aceitação vêm crescendo ao longo do tempo.

Em meio à crise política que o Brasil atravessa hoje, o que os brasileiros podem esperar do senhor caso venha a se candidatar para presidente em 2018?

No tocando à crise, estou passando longe. Tenho participação apenas em uma possível votação de impeachment e uma eleição de forma indireta daquele que por ventura seja apontado para concluir um 'mandado tampão'. Da minha parte, goste ou não, sou diferente. Se vai dar certo, não sei. Conto com Deus para trilhar esse caminho, junto a alguns amigos, como por exemplo o deputado federal Rogério Peninha Mendonça (PMDB). A população pode esperar muita coisa de mim, pode ter certeza disso. Mas jamais nós entraremos no lodaçal da política tradicional como essa que estamos assistindo ultimamente.

Qual sua opinião referente à eleição indireta?

O perfil do eleitor de uma possível eleição indireta não condiz comigo, então não pretendo disputar eleição indireta caso ela venha a acontecer dentro da Câmara porque acho que nós devemos sim escolher o futuro presidente da República sem barganha de cargo como normalmente vem sendo feito. E existe ainda uma parcela do parlamento que não entendeu esse recado por parte da população brasileira.

E quanto à eleição direta, é a favor?

Não por mim, mas pela minha Pátria. Eu quero servi-la no campo do Executivo já que deixei o exército a pouco tempo. E obviamente, não sou o candidato ainda, mas se eu for, com a ajuda de Deus, porque a cruz é bastante pesada, espero ter o apoio da população. Isso é possível, como nas minhas andanças pelos Brasil, todos veem que tenho uma aceitação popular muito boa, tendo em vista, logicamente, o meu discurso não populista, mas sim em oposição ao que está aí.

O que pode nos falar no que diz respeito ao seu projeto que possibilita o armamento de pessoas de bem?

Hoje em dia só quem não presta consegue ter arma de fogo, uma minoria que presta que têm acesso à arma de fogo e quero ampliar isso. Vejo arma de fogo como algo muito importante para a defesa da própria vida, serve para defender a liberdade de um povo. Um povo armado jamais será subjugado por um possível ditador que se apresente no futuro. Assim sendo, ninguém quer comprar uma arma para fazer besteira. Deve ser dado o direito de que quem quiser tê-la a tenha, a exemplo do que decidiu o referendo de 2005, e o governo simplesmente o ignorou.

No que depender de mim também, no tocante à arma de fogo, o fazendeiro vai ter um fuzil em sua propriedade, afinal de contas, a propriedade privada é sagrada. Para defender a mulher também, eu duvido que alguém vai cometer violência contra uma mulher sabendo da possibilidade de ela estar armada na sua residência. Não vamos combater a violência sem violência, esse é o meu pensamento. E nós também não podemos mergulhar no politicamente correto e achar que com medidas pacifistas nós vamos amedrontar aquele que possa vir a cometer uma maldade contra seu semelhante.

O que achou da região do Médio Vale do Itajaí?

É uma região diferente do restante do Brasil. Tenho nas minhas veias uma parte de sangue alemão e uma parte de sangue italiano também. Muito do que está aqui vem da cultura dos povos lá de fora. Fiquei maravilhado da maneira como esse povo se comporta, trabalha, produz e pensa no Brasil.